Estado 'espelho' do Brasil, MG entra no foco das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro para o 2º turno

  • 17/10/2026
(Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) em atos de campanha. Reuters Estado decisivo para o resultado das eleições e considerado um "espelho" do país (entenda abaixo), Minas Gerais entrou no foco das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno da corrida presidencial. Enquanto o petista busca a virada em MG, onde venceu em 2022 com 48,29% dos votos, o candidato do PL quer ampliar a vantagem obtida em 4 de outubro, quando teve 48,24% dos votos, contra 43,33% de Lula. Para ganhar votos, eles contam com o apoio de aliados eleitos no estado e com a mobilização popular, nas ruas e nas redes. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MG no WhatsApp Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e, desde a primeira eleição pós-redemocratização, em 1989, reflete o resultado nacional. Todos os presidentes eleitos no Brasil venceram no estado, que se tornou um ponto de atenção das campanhas. "O primeiro fator é quantitativo. Minas tem um estoque de votos significativo. O segundo tem relação com a peculiaridade do estado, que já é altamente conhecido por ser um microcosmo da eleição no plano nacional. [...] Então, é natural que os candidatos foquem em Minas para buscar votos", afirmou Camilo Aggio, professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD). O vídeo abaixo, de 21 de setembro, explica por que Minas é considerado espelho do Brasil nas eleições: Minas Gerais é o espelho do Brasil Minas Gerais também é apontado por estudiosos como um "estado pêndulo", devido ao fato de que os eleitores têm mudado entre um lado e outro do campo político nos últimos 30 anos. No primeiro turno da votação deste ano, cerca de 22% dos eleitores de MG não compareceram às urnas – 3.735.098 abstenções foram registradas. Em todo o Brasil, o índice de abstenção foi de 21,08%, um recorde. "Flávio venceu em nove das dez maiores cidades mineiras. Lula, por sua vez, foi mais votado em mais municípios. Isso mostra que há mapas eleitorais diferentes dentro de Minas e ajuda a explicar por que os dois querem voltar: cada campanha tenta ampliar sua vantagem onde já tem força e reduzir a distância onde está atrás", avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Esta reportagem mostra a campanha presidencial em Minas Gerais a partir dos seguintes pontos: Campanha de Lula em MG Campanha de Flávio em MG Importância de aliados para atrair votos Atos e mobilizações populares pelo estado Como ficou o primeiro turno Campanha de Lula em MG Lula visitou o estado pela primeira vez depois de 4 de outubro nesta sexta-feira (16). Ele escolheu começar por Juiz de Fora, a única entre as dez maiores cidades de MG onde o presidente venceu no primeiro turno, com 49,58% dos votos, contra 41,53% de Flávio. Ele participou de uma caminhada, acompanhado da prefeita Margarida Salomão (PT) e da senadora eleita Marília Campos (PT). Depois, no mesmo dia, o petista visitou Ipatinga, no Vale do Aço, onde terminou o primeiro turno com 31,47% dos votos, ante 61,11% de Flávio. Marília Campos também acompanhou a agenda. A senadora eleita, ex-prefeita de Contagem, tornou-se uma peça importante da campanha de Lula em Minas Gerais. Ela recebeu 3.990.864 votos. Deputados federais do campo progressista eleitos no estado também têm participado ativamente da corrida do presidente pela reeleição. É o caso, por exemplo, de Ana Elisa (PT), a segunda parlamentar mais votada em MG, com forte presença nas redes sociais, e de André Janones (Rede), criador do canal de WhatsApp "Exército do Lula", que já acumula mais de 4,2 milhões de seguidores. Cronologia: entenda o vaivém do canal 'Exército do Lula' na Justiça Eleitoral Lula fez campanha em Juiz de Fora (MG) nesta sexta-feira (16) Nayara de Paula/TV Integração Campanha de Flávio em MG Flávio Bolsonaro também esteve em Minas Gerais nesta semana. Na quinta-feira (15), ele participou de um ato em Capelinha, uma das poucas cidades do Vale do Jequitinhonha onde venceu no primeiro turno. Ele obteve 48,20% dos votos no município, e Lula, 44,39%. O candidato estava acompanhado do senador eleito Domingos Sávio (PL) e de Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado do Brasil, com 3.118.784 votos. Fenômeno nas redes sociais, Nikolas é um dos principais nomes à frente da campanha bolsonarista e deve se dedicar nos próximos dias a atos a favor de Flávio em diversas cidades do país. A previsão era a de que o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), também participasse da agenda, mas ele passou mal na quinta-feira após discursar no Senado e não foi ao evento. Cleitinho é outro aliado importante do candidato do PL no segundo turno. Ele declarou apoio a Flávio publicamente e tem postado vídeos nas redes pedindo votos para o presidenciável, que ainda deve retornar a Minas Gerais antes de 25 de outubro. Flávio Bolsonaro faz campanha em Capelinha, MG Reprodução/Inter TV Importância de aliados para atrair votos Na avaliação de Felipe Nunes, o apoio de políticos eleitos pode fortalecer Lula e Flávio, mas a conquista de novos eleitores depende de outros fatores. "A presença deles pode dar capilaridade às campanhas, mobilizar apoiadores e ajudar a levar a mensagem dos candidatos a públicos locais. Mas não existe transferência automática de votos: o efeito depende da identificação dos eleitores com essas lideranças e da capacidade de transformar apoio em voto e comparecimento às urnas", afirmou. Para o professor Camilo Aggio, Flávio tem vantagem em relação aos apoios devido, principalmente, ao papel de Nikolas Ferreira e do governador eleito, Cleitinho Azevedo. "Embora eu tenda a achar que o apoio de Nikolas e de Cleitinho seja mais importante pela visibilidade digital que os dois conquistaram, essa associação é um grande ativo para a campanha de Flávio. [...] O PT tem um pouco mais de fragilidade. Embora Marília Campos tenha sido eleita, ainda há uma rejeição muito grande à sigla em Minas Gerais", pontuou. Ele destacou, no entanto, que mesmo diante do cenário de rejeição, Lula conseguiu vencer no estado e ser eleito presidente em 2022. "O Lula é um sujeito que consegue fazer alianças politicas fortes, significativas. [...] A minha aposta é que a campanha dele deve investir muito em Minas nessa reta final", falou. Atos e mobilizações populares pelo estado Desde o início da corrida para o segundo turno, eleitores têm se mobilizado em manifestações e atos nas ruas. Entre os atos pró-Lula, o maior ocorreu no dia 9 de outubro, na Praça Afonso Arinos, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Apoiadores passaram por algumas das principais ruas e avenidas do Centro da capital mineira. No dia anterior, manifestantes se reuniram em Juiz de Fora, em Uberaba e em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e também em Divinópolis, no Centro-Oeste. Na última quinta-feira (15), mais uma mobilização foi realizada na capital mineira, no campus da UFMG, na Pampulha, com a presença de Ana Elisa, André Janones, Duda Salabert (PSOL) e outros parlamentares. Na noite desta sexta-feira (16), um ato a favor de Flávio Bolsonaro foi realizado em Nanuque, no Vale do Mucuri, com a participação de Nikolas Ferreira. O professor Camilo Aggio acredita que a mobilização nas ruas, por si só, não é suficiente para ganhar votos, mas é importante para engajar os eleitores. "Ela existe para energizar as bases, dar uma certa esperança, apontar caminhos e convencer as pessoas de que é possível. Quando o sujeito acha que tem chances, a tendência é se mobilizar mais. E, obviamente, essas mobilizações servem para criar conteúdo para o digital. A pessoa que está nas ruas também está postando nas redes", afirmou. Felipe Nunes concorda que os atos ajudam a dar visibilidade à campanha, animar apoiadores e influenciar a conversa pública. Para ele, também podem estimular a participação no dia da eleição. "Em Minas, pela dimensão do estado e pela diversidade de seus eleitorados, a mobilização precisa se converter em presença e apoio em diferentes regiões", falou. Como ficou o primeiro turno Embora Lula tenha vencido na maior parte dos municípios mineiros (452 de 853), no somatório dos votos do estado ele terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, que liderou em 401 cidades. O candidato do PL ficou na frente em nove das dez maiores cidades de Minas Gerais: Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim, Montes Claros, Uberaba, Governador Valadares, Ribeirão das Neves e Ipatinga. Lula se saiu melhor em Juiz de Fora (veja detalhes no infográfico abaixo). Infográfico mostra resultados das eleições presidenciais em MG no 1º turno Kayan Albertin - Arte/g1 Vídeos mais vistos no g1 Minas:

FONTE: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2026/noticia/2026/10/17/estado-espelho-do-brasil-mg-entra-no-foco-das-campanhas-de-lula-e-flavio-bolsonaro-para-o-2o-turno.ghtml


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